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O Fim do Enigma Salvador Dalí

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

SOCIOLOGIA DA CULTURA

SOCIOLOGIA DA CULTURA
A luta pelo voto nulo não é para anular as eleições... A LUTA PELO VOTO NULO NÃO É PARA ANULAR AS ELEIÇÕES... Nildo Viana Recentemente algumas pessoas veem questionando - devido polêmicas jurídicas na TV e outros locais - o sentido do voto nulo já que para alguns a existência de mais de 50% de voto nulo não anula as eleições. Obviamente que há uma polêmica em torno disso (alguns sustentam que anularia a eleição, ao contrário dessa posição), mas isto é totalmente irrelevante para a luta pelo voto nulo por parte de tendências anarquistas e autogestionárias. Assim, o que se faz é uma grande confusão, com intenções óbvias de realizar tal processo, querendo desqualificar o voto nulo libertário e confundi-lo com o voto nulo oportunista (sobre as formas do voto nulo, veja o artigo "Eleições, Voto Nulo e Autoemancipação", clicando aqui). O voto nulo libertário (anarquista ou autogestionário) não visa anular nenhuma eleição, pois é constitutivo dos seus princípios a recusa em geral do sistema eleitoral e partidário. Trata-se de uma recusa da democracia burguesa que não visa trocar governos mas propor a superação da existência de governos e do Estado em geral. A abolição do Estado (e, portanto, da democracia representativa, do sistema eleitoral, dos partidos políticos, dos políticos profissionais, etc.) e sua substituição pela autogestão social ou "livre associação dos produtores" é o objetivo. Nessa perspectiva, anular as eleições e convocar outras é simplesmente inócuo, estéril e até indesejável, pois teríamos mais uma enfadonha campanha eleitoral com os partidos apresentando seus produtos de má qualidade nas vitrines do grande supermercado chamado processo eleitoral. Nessa perspectiva, um novo pleito eleitoral é apenas mais do mesmo, repetição do que não deveria existir. Se uma eleição fosse cancelada, haveria outra, o que significa nada mudar. O que se propõe, nesse caso, na perspectiva do voto nulo autogestionário, é abolir as eleições, o sistema eleitoral representativo e burguês, o Estado capitalista, etc., e, portanto, significa ABOLIÇÃO e não CONTINUAÇÃO. Essa abolição, por sua vez, significa SUPERAÇÃO e SUBSTITUIÇÃO por algo radicalmente diferente, que é a AUTOGESTÃO SOCIAL. Ao invés da falsa participação e "democracia", na qual os iludidos escolhem a cada quatro (ou mais ou menos, mas por um período determinado de tempo sem exercer poder ou poder substituir quem foi eleito) anos quem irá dirigir e controlar nossa vida, o que propomos é que nós mesmos passemos a nos dirigir e controlar, tanto o processo de produção (abolindo o capital, ou sua expressão jurídica, a propriedade privada) quanto o conjunto das relações sociais, via formas de auto-organização, como os conselhos de fábrica e de bairros, entre outras. Assim, confundir a proposta de voto nulo libertário (anarquista ou autogestionário) com a proposta de voto nulo oportunista - que é a de organizações ou pequenos partidos que negam apenas estas eleições ou o processo eleitoral apenas até se fortalecer e poder lançar candidatos ou concorrer, ou, pior ainda, por esperar um adiamento e descrédito dos adversários para depois tentar ganhar ou obter vantagem eleitoral - é algo totalmente sem sentido. O discurso que afirma que mais de 50% dos votos não anula o processo eleitoral não atinge a maioria das formas de voto nulo, a não ser a já citada, pois nem o voto nulo espontâneo (por ceticismo e descrença de setores da população) visa isso. O voto nulo autogestionário significa, portanto, recusa total do sistema eleitoral e da sociedade capitalista como um todo. Obviamente que não tem a ilusão de que o aumento do voto nulo, nem que seja mais de 50%, signifique a transformação radical e total das relações sociais que está proposto em seus princípios. é claro que se houver tal proporção, a possibilidade de tal transformação se torna uma realidade possível, desde que não tenha sido motivada por voto nulo oportunista. O objetivo principal da defesa e campanha pelo voto nulo, numa perspectiva autogestionária, remete para a sua finalidade, a luta pela autogestão social. E faz isso através de um processo de politização e crítica da democracia burguesa e do Estado capitalista e simultânea apresentação de um projeto alternativo de sociedade, a autogestão social, bem como de análise crítica e reflexão sobre as formas do voto nulo. Assim, o voto nulo autogestionário apresenta, simultaneamente, uma crítica totalizante da política institucional (Estado capitalista, democracia burguesa, sistema eleitoral, políticos profissionais, corrupção, etc.), uma reflexão crítica sobre o voto nulo (suas formas, alcance, limites, etc.) e uma unidade destes dois elementos com o projeto autogestionário de emancipação humana. O resultado esperado disso não é a ilusória e ingênua anulação de uma determinada eleição e sim uma maior politização da população, daqueles que já defendem o voto nulo espontaneamente sem um projeto alternativo de sociedade ou percepção mais totalizante da democracia burguesa, e perda de legitimidade das instituições burguesas, dos governos, etc. Em síntese, a politização de uma parte cada vez maior da população e a deslegitimação cada vez mais intensiva dos governos e instituições burguesas é o resultado esperado e que contribui com o objetivo final que é a transformação social radical e total das relações sociais, a formação de uma sociedade autogerida. No fundo, é disso que o Estado, os governos, etc. temem, pois é isto que é uma ameaça real, o resto é apenas troca de corruptos e oportunistas no interior das mesmas relações sociais que criam estes tristes personagens e é por isso que buscam criar confusão entre voto nulo oportunista - que no fundo relegitima a democracia burguesa e tudo que é relacionado, sem nenhum projeto verdadeiro de transformação social - e o voto nulo libertário. Contudo, a tendência e o que vem ocorrendo é o aumento do voto nulo (tanto o espontâneo quanto o libertário) e assim o temor da classe dominante e suas classes auxiliares se justifica, mas não é suficiente para impedir sua realização e ampliação. Quanto mais votos nulos, menos pessoas envolvidas, iludidas, interessadas, no processo eleitoral e isso significa menos força da política burguesa (institucional) e mais força da política proletária (anti-institucional, voltada para a auto-organização da população). Um fantasma ronda as eleições atuais, o fantasma da autogestão social.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Espetáculo Eleitoral


O Espetáculo Eleitoral
Por: Jean Isídio dos Santos


Mais um ano eleitoral, novamente os políticos entram em cena. Como definir os protagonistas e vilões do espetáculo? Quais são as estratégias utilizadas para movimentar, alienar e coordenar o cenário eleitoral?
Você se lembra da última eleição? Para qual candidato você votou? Você se lembra de alguma promessa política?
Interrogações como esta geralmente são respondidas com negatividade, pois denotam o desinteresse por grande parte da população com relação a política.
Qual o verdadeiro interesse dos partidos políticos? Conforme afirma George Orwell: “O partido procura o poder por amor ao poder” (Orwell, 1984, p. 144). O partido não está interessado no bem-estar alheio, só está interessado em si mesmo e no poder, seja este um partido de “esquerda” ou de “direita”.
O real interesse dos partidos políticos volta-se para a conquista do poder estatal:
Cria-se assim no interior de cada partido uma divisão entre dirigentes e dirigidos, entre chefes, líderes, por um lado e massas, liderados, por outro. Estes dirigentes formam a burocracia partidária (Viana, 2003, p. 14)
Ao atingir o seu objetivo principal que é a conquista do poder, a burocracia que administra o partido distribui o poder entre os seus integrantes que irão ocupar os principais cargos nos quadros da burocracia estatal. Os principais cargos e principalmente os salários mais altos, serão abocanhados pelos burocratas do partido, estes fatores demonstram claramente porque o poder é tão disputado por todos os partidos sejam eles de direita ou esquerda.
No que diz respeito as estratégias utilizadas para enganar a “massa” conforme afirma Nildo Viana:
É devido à propaganda de massas que surge uma verdadeira industrial eleitoral: agências publicitárias, gráficas, institutos de pesquisa, que comercializam os bens eleitorais e fazem fortunas (Viana, 2003, p. 60).
Estas agências publicitárias preocupadas apenas no lucro criam a imagem e elaboram o discurso utilizado nos palanques eleitorais, discursos estes recheados de muitas palavras, propostas, promessas eleitorais que nunca serão realizadas. Estas industrias eleitorais tais como: gráficas e principalmente institutos de pesquisa geralmente são contratadas pelos partidos políticos para favorecem ou omitirem os índices colocando candidatos em posições que não corresponde com a realidade pesquisada. Nos discursos eleitorais, os políticos apresentam-se como verdadeiros “messias”, suas propostas políticas, são vagas, não possuem fundamentos, prometem recuperar a economia, garantir a moradia, acabar com a fome, realizar a reforma agrária, são promessas amplas de longa realização problemas que não são solucionados a curto prazo. Podemos notar também o discurso escamoteado dos partidos burgueses:
Qual é este discurso? Tendo em vista que as classes exploradas não produzem um voto de classe e que os partidos burgueses não podem falar em nome de sua classe, então o discurso eleitoral torna-se policlassista e portanto, despolitizante. Os partidos burgueses utilizam o discurso policlassista pelos seguintes motivos: a) eles não podem assumir que representam apenas a classe dominante, b) para ganhar as eleições, os partidos burgueses precisam de votos provenientes não só da burguesia, mas também da demais classes sociais, inclusive das classes exploradas, que são a maioria... (Viana, 2003, p. 60).
Conforme afirma Viana os partidos não podem assumir a classe que realmente representam, pois necessitam do voto das classes exploradas para consolidarem-se no poder, para alcançarem este objetivo escondem-se atrás de suas máscaras. Na prática estes políticos estão longe do real saber, a incompetência destes políticos é tão grande que na realidade, eles não possuem a capacidade de elaborar o seu próprio discurso, isto pode ser percebido nas realizações das campanhas publicitárias, na qual os partidos contratam agências publicitárias responsáveis pela imagem, comportamento e principalmente pelo discurso realizado pela burocracia representante do partido. As práticas do espetáculo eleitoral repetem-se em todo ano político, a falta de conscientização política, o descaso pela política por parte da população, a falta do debate político nas programações das redes públicas de televisão, nos rádios e até mesmo na Internet propiciam um distanciamento entre os eleitores e os seus “representantes”, esta situação precisa mudar, o debate político deve estar presente em todas as camadas sociais, a população tem por obrigação fiscalizar, denunciar e acompanhar as atividades dos partidos políticos afim de diminuir as práticas políticas irregulares, a corrupção tão freqüente no ambiente político. O exercício da cidadania não se dá somente no momento do voto e sim no acompanhamento das atividades políticas, no debate político, nas cobranças por parte da população em todas as circunstâncias políticas.

Referências Bibliográficas

ORWELL, George. 1984. São Paulo, Nacional, 1984.
VIANA, Nildo. O que são Partidos Políticos? Goiânia, Edições Germinal, 2003.


Fonte: Revista Possibilidades

sexta-feira, 18 de março de 2011

DEUS E O ESTADO.




">DEUS E O ESTADO
Trecho do livro de Bakunin
Todas as religiões, com seus deuses, seus semideuses e seus profetas, seus messias e seus santos, foram criadas pela fantasia crédula do homem, que ainda não alcançou o pleno desenvolvimento e a plena possessão de suas faculdades intelectuais. Em conseqüência, o céu religioso nada mais é do que uma miragem onde o homem, exaltado pela ignorância pela fé, encontra sua própria imagem, mas ampliada e invertida, isto é, divinizada. A história das religiões, a do nascimento, da grandeza e da decadência dos deuses que se se sucederam na crença humana, não é nada mais do que o desenvolvimento da inteligência e da consciência coletivas homens.


À medida que, em sua marcha histórica progressiva, eles descobriam, seja neles próprios, seja na natureza exterior, uma força, uma qualidade, ou mesmo grande defeito quaisquer, eles os atribuíam a seus deuses após tê-los exagerado, ampliado desmedidamente, como fazem habitualmente as crianças, por um ato de sua fantasia religiosa. Graças a esta modéstia e a esta piedosa generosidade dos homens, crentes e crédulos, o céu se enriqueceu com os despojos da terra, e, por conseqüência necessária, quanto mais o céu se tornava rico, mais a humanidade e a terra se tornavam miseráveis. Uma vez instalada a divindade, ela foi naturalmente proclamada a causa, a razão, o árbitro e o distribuidor absoluto de todas as coisas: o mundo não foi mais nada, ela foi tudo; e o homem, seu verdadeiro criador, após tê-la tirado do nada sem o saber, ajoelhou-se diante dela, adorou-a e se proclamou sua criatura e seu escravo.
O cristianismo é precisamente a religião por excelência, porque ele expõe e manifesta, em sua plenitude, a natureza, a própria essência de todo o sistema religioso, que é empobrecimento, a escravização e o aniquilamento da humanidade em proveito da divindade.
Deus sendo tudo, o mundo real e o homem não são nada. Deus sendo a verdade, a justiça, o bem, o belo, a força e a vida, o homem é a mentira, a iniqüidade, o mal, a feiúra, a impotência e a morte. Deus sendo o senhor, o homem é o escravo. Incapaz de encontrar por si próprio a justiça, a verdade e a vida eterna, ele só pode alcançar isso por meio de uma revelação divina. Mas quem diz revelação diz reveladores, messias, profetas, padres e legisladores inspirados pelo próprio Deus; e estes, uma vez reconhecidos como os representantes da divindade sobre a terra, como os santos instituidores da humanidade, eleitos pelo próprio Deus para dirigi-la em direção à via da salvação, exercem necessariamente um poder absoluto. Todos os homens lhes devem uma obediência passiva e ilimitada, pois contra a razão divina não há razão humana, e contra a justiça de Deus não há justiça terrestre que se mantenha. Escravos de Deus, os homens devem sê-lo também da Igreja e do Estado, enquanto este último for consagrado pela Igreja. Eis o que de todas as religiões que existem ou que existiram, o cristianismo compreendeu melhor do que as outras, sem excetuar a maioria das antigas religiões orientais, as quais só abarcaram povos distintos e privilegiados, enquanto que o cristianismo tem a pretensão de abarcar a humanidade inteira; eis o que, de todas as seitas cristãs, o catolicismo romano, sozinho, proclamou e realizou com uma conseqüência rigorosa. É por isso que o cristianismo é a religião absoluta, a última religião, é por isso que a Igreja apostólica e romana é a única conseqüente, a única lógica.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O CONSUMO NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO






O Consumo na Sociedade do Espetáculo

Nildo Viana*

Marx já dizia que “a produção cria o consumo”. A sociedade capitalista é fundada na produção de mercadorias. A mercadoria é valor de uso e valor de troca e só é produzida devido a sua possibilidade de venda e gerar lucro. Para Debord, sociedade do espetáculo e processo de consumo estão intimamente ligados. Ele desenvolverá esta questão de forma mais aprofundada em sua obra A Sociedade do Espetáculo, na qual apresenta sua crítica da sociedade mercantil-consumista-espetacular[1].

É de Marx a famosa frase de que a sociedade capitalista, à primeira vista, é uma “imensa coleção de mercadorias”. Parafraseando Marx, Debord afirma que “toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos”. O espetáculo é uma relação social entre pessoas, mediadas por imagens, uma cosmovisão, o resultado e projeto do capitalismo, e, entre outras características, o que aqui nos interessa mais, a “afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e o consumo que decorre desta escolha. Na sociedade do espetáculo, a mercadoria é a razão última de todas as relações sociais, a racionalidade mercantil impregna o conjunto das relações sociais.
A concepção de Debord é a de que, a partir do momento que a mercadoria ocupa a totalidade da vida social, o espetáculo domina a sociedade moderna. O consumidor se torna o centro da nova sociedade e o valor de uso das mercadorias passa a ser comandado pelo valor de troca. A sociedade moderna, especialmente do pós-Segunda Guerra Mundial, se torna o reino do espetáculo. A representação fetichizada do mundo dos objetos e das mercadorias se torna hegemônica. O reino da aparência é o novo circo que representa o pão cotidiano consumido pelo ser humano enclausurado numa sociedade que produziu uma intensa mercantilização das relações sociais.

O consumo e a imagem se tornam centro da sociedade do espetáculo. Eles substituem a ação direta e o diálogo promovendo isolamento e separação, e isto através de objetos de consumo e consumo de objetos, tal como o automóvel e a televisão. Por isso ele afirma que o espetáculo domina quando a mercadoria ocupa totalmente a vida social, criando uma ditadura da mercadoria e do consumo, que tem como efeito a separação e o isolamento dos consumidores que não se relacionam, na maioria dos casos, com outros consumidores ou produtores e sim com o objeto de consumo, a mercadoria. O curioso é que as relações entre pessoas são mercantilizadas ou mediadas pelo consumo das mercadorias.

Neste contexto, o tema do fetichismo da mercadoria, explorado por Marx, é retomado por Debord. Marx analisou o modo de produção capitalista e o papel da mercadoria no mundo da aparência, das representações imediatas, criando uma nova forma de idolatria. A idolatria da mercadoria, tal como a religiosa, faz de um produto do trabalho humano parecer ter vida própria, e o idólatra perde de vista, assim, a historicidade e o processo de produção da mercadoria.

Para Debord, o centro da sociedade do espetáculo é a mercadoria, pois esta ocupa a totalidade da vida social e constitui a economia política (“ciência dominante” e “ciência da dominação”), promovendo uma ditadura da mercadoria e do consumo. A classe dominante, neste contexto, desloca sua preocupação que não se centra mais no proletário como trabalhador e sim como consumidor. Isso vai gerar o “humanismo da mercadoria”, e o trabalhador-consumidor é objeto das atenções e a mercantilização do seu lazer é apenas outro lado da mesma moeda. Trabalhador, produtor de mercadorias, consumidor, comprador de mercadorias, e esta dualidade revela um mesmo indivíduo que produz mercadorias para consumir mercadorias.

O consumo, nesta sociedade, deve aumentar constantemente. Apesar de Debord não ter abordado a base real deste processo, já teorizada por Marx na ideia de acumulação e reprodução ampliada de capital que significa um aumento constante da produção e, por conseguinte, da necessidade de consumo, ele percebe que esta dinâmica de consumo crescente se realiza por existir uma privação, uma privação mais rica e mais consumista. Este consumismo proporciona uma sobrevivência opulenta cuja base é a produção de pseudonecessidades, um tema bastante discutido na sociologia européia dos anos 1960, com as teses da “sociedade de consumo” e “produção de necessidades fabricadas”.

Assim, a sociedade do espetáculo produz uma sociedade totalitária de mercadorias e consumo. Este totalitarismo da mercadoria e do consumo é mais amplo do que se pensa. Debord não se ilude com as oposições, pois elas fazem parte desta sociedade, estão envolvidas até o pescoço com o espetáculo. É por isso que Debord afirma que se produzem lutas espetaculares, marcadas pela ambigüidade de serem simultaneamente falsas e verdadeiras. São falsas por não questionarem a sociedade do espetáculo e se manifestar de forma espetacular e são verdadeiras por expressar lutas realmente existentes entre classes e frações de classes. Isto também vale para as “regiões subdesenvolvidas”, pois elas são dominadas pelo espetáculo, além da mera hegemonia econômica. E faz isto dominando suas classes dominantes e produzindo o desejo de pseudobens e modelos de revolução para os revolucionários locais. A própria insatisfação se torna mercadoria. Isto se revela na social-democracia e no bolchevismo, ao lado de outras supostas oposições ao regime. Nestas ideologias, a representação da classe se opõe ao próprio proletariado. Assim, a teoria revolucionária de Marx se transforma em ideologia nestas falsas representações do proletariado.

A única solução para este mundo espetacular, consumista e mercantil, é a auto-organização proletária dos conselhos operários e isto significa que o sujeito revolucionário, para Debord, é o proletariado. Suas teses, neste momento, expressam uma retomada do comunismo de conselhos (Pannekoek, Korsch, Rühle, Mattick, etc.) que emergiu nos anos 1920, no bojo das tentativas de revolução proletária.

Neste contexto, a obra de Debord é expressão da sociedade do espetáculo, uma crítica feroz que proporciona uma recusa da totalidade da vida social e, portanto, do cotidiano alienado. Expressa o “espírito da época”, ou seja, alguns dos temas fundamentais da sociedade européia da década de 1960, especialmente a questão da “sociedade de consumo”, que teve em Jean Baudrillard, André Gorz, Henri Lefebvre e muitos outros na França, bem como Erich Fromm e Hannah Arendt, em outros países, alguns de seus principais teóricos. Porém, ele se diferencia pela sua radicalidade e sua recusa total deste mundo mercantil e consumista. A mercantilização das relações sociais invade tudo, o espaço, o urbanismo, a arquitetura, o tempo, o lazer, a cultura, a arte, a comunicação e tudo o mais é perpassado por esta alienação generalizada da sociedade espetacular. A mercantilização total gera a recusa total.

A crítica da sociedade do espetáculo, no entanto, compartilha com ela um problema fundamental denunciado pelo próprio Debord: a separação. Ao ultrapassar o economicismo e atingir a vida cotidiana e sua essência mercantil-consumista há um avanço, mas ao não analisar o processo de produção e constituição dessa situação, separa o espetáculo, o mundo mercantil e consumista, da produção. O modo de produção capitalista e sua dinâmica de reprodução ampliada que produz a necessidade de reprodução ampliada do mercado consumidor é fundamental e não pode ser deixado de lado em qualquer análise. Porém, independentemente disso, a obra de Debord assume uma radicalidade e potencial crítico que é uma das melhores análises do capitalismo que emergiu após a Segunda Guerra Mundial. A crítica abre espaço para a ação, e, na época em que o espetáculo e o fetichismo invadem tudo, inclusive a obra de Debord, este reconhecimento é fundamental.


* Professor de Sociologia da UFG, autor dos livros O Capitalismo na Era da Acumulação Integral (São Paulo, Ideías e Letras, 2009); A Concepção Materialista da História do Cinema (Porto Alegre, Asterisco, 2009); A Esfera Artística (Porto Alegre, Zouk, 2007); Senso Comum, Representações Sociais e Representações Cotidianas (Bauru, Edusc, 2007); A Consciência da História (Rio de Janeiro, Achiamé, 2007), entre outros.
[1] Debord, Guy. A Sociedade do Espetáculo. São Paulo, Contraponto, 1997.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Lançamento do Livro: FETICHISMO, CINEMA E CULTURA DE MASSA.




Fetichismo, Cinema e Cultura de Massa: Elementos da Indústria Cultural
Podemos dizer que a indústria cultural e seus elementos são parte integrante do cotidiano de diversas sociedades em todo o mundo, além disso, a indústria cultural é fruto dessa mesma sociedade e da sua forma de produção, ou seja, a sociedade capitalista. São elementos fundamentais da indústria cultural: o fetichismo, o cinema e a cultura de massa que são analisados nesta obra.
Os produto da chamada indústria cultural são produzidos em todo o mundo. A indústria gigantesca produz produtos para a diversão e consequentemente para o entretenimento das diversas classes sociais e com objetivos claros: massificação, alienação e fetiche, ou seja, transformar mercadorias em “coisas”. O objetivo desta obra é procurar romper com o formalismo e a repetição da indústria cultural. Neste sentido, esta obra se faz importante, pois busca mostrar as contradições existentes no interior da indústria cultural, além disso, no decorrer da obra os autores utilizam os conceitos da teoria social de Marx e da Escola de Frankfurt para a conceituação teórica do fetichismo, do cinema e consequentemente da cultura de massa.

Editora: ÍCONE
Autores: ERISVALDO SOUZA & JEAN ISIDIO
Ano: 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Livro O Capitalismo na Era da Acumulação Integral



VIANA, Nildo. O Capitalismo na Era da Acumulação Integral. São Paulo, Idéias e Letras, 2009
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Onde Comprar?

Editora Idéias e Letras

Livraria Cultura

Outras livrarias

Links

Revista Sociologia, Ciência e Vida

Revista Espaço Acadêmico

Jornal A Página da Educação

Sociologia em Rede





Sobre o livro:


O presente livro busca, simultaneamente, discutir a importância de uma teoria dos regimes de acumulação para compreender a história do capitalismo e analisar o atual regime de acumulação hegemônico no mundo, o regime de acumulação integral. O objetivo do livro é, ao mesmo tempo, apresentar uma teoria explicativa do desenvolvimento capitalista que sirva de referencial para outras análises e desdobramentos e realizar uma análise pormenorizada do capitalismo contemporâneo, tanto em seu regime de acumulação quanto em suas conseqüências em matéria de produção de ideologias e novas lutas sociais. Assim, o livro traz uma discussão teórica que possibilita um amplo desenvolvimento em outras teorias e complementos e uma análise de temáticas atuais e relevantes socialmente e culturalmente. O livro apresenta uma concepção inovadora e profunda do capitalismo contemporâneo e isto mostra sua importância.

Texto da orelha:


O livro O Capitalismo na Era da Acumulação Integral apresenta uma teoria dos regimes de acumulação e do atual regime de acumulação que revela-se como extremamente esclarecedora da sociedade contemporânea, fornecendo uma base teórico-metodológica em falta nas produções sociológicas e econômicas contemporâneas.
O ponto de partida é uma discussão sobre o conceito e a importância dos regimes de acumulação para uma periodização do capitalismo, e prossegue com uma análise dos pilares do atual regime de acumulação: toyotismo, neoliberalismo e neo-imperialismo, bem como aborda as ideologias que emergem com a instauração do novo regime de acumulação, em especial as ideologias da globalização, pós-estruturalismo, da crise da sociedade do trabalho e do trabalho imaterial.
Por fim, o autor encerra a obra discutindo as conseqüências do novo regime de acumulação, tal como a lumpemproletarização (“exclusão social”) e a nova dinâmica da luta de classes, tal como nos acontecimentos recentes no México e Argentina.
Nildo Viana é sociólogo e filósofo, professor da Universidade Federal de Goiás e autor de diversos livros, entre os quais Os Valores na Sociedade Moderna; Senso Comum, Representações Sociais e Representações Cotidianas; A Consciência da História; A Esfera Artística; Introdução à Sociologia, Escritos Metodológicos de Marx, Universo Psíquico e Reprodução do Capital, entre outros.


Dados do Livro:
VIANA, Nildo. O Capitalismo na Era da Acumulação Integral. São Paulo, Idéias e Letras, 2009.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Concepção Materialista da História do Cinema

Prefácio do livro A Concepção Materialista da História do Cinema

terça-feira, 18 de agosto de 2009
Livro A Concepção Materialista da História do Cinema



VIANA, Nildo. A Concepção Materialista da História do Cinema. Porto Alegre, Asterisco, 2009.










TEXTO DA ORELHA:

A maioria das obras de história do cinema possui limites que precisam ser superados, tal como seu caráter descritivo, que consiste em elencar nome de filmes, diretores e outros detalhes, sem maior aprofundamento e geralmente tendo por base uma ideologia cinematográfica. A historiografia tradicional do cinema também é descritiva e pouco contribui para um entendimento das mutações do processo de produção dos filmes e dos conteúdos veiculados por eles, tal como a abordagem formalista, que é ahistórica. Os poucos estudos influenciados pelo marxismo sobre o cinema padecem de problemas metodológicos e teóricos devido a influência da teoria do reflexo de Lênin e da estética realista derivada dela. Neste contexto, torna-se necessário discutir as bases teórico-metodológicas para uma história do cinema que ultrapasse a mera descrição, o formalismo e os demais problemas interpretativos. O materialismo histórico fornece o método e teoria necessários para superar tais limites. As categorias de totalidade e determinação fundamental e os conceitos de capitalismo, luta de classes, ideologia, entre outros, são a chave para a produção de uma reconstituição histórica do cinema tendo por base o materialismo histórico. A presente obra discute a relação entre história e cinema, apresentando uma crítica da historiografia do cinema e apresentando as bases teórico-metodológicas para uma história social do cinema e exemplifica este procedimento analisando o expressionismo cinematográfico alemão.

Para ler o prefácio de Jean Isídio dos Santos, clique aqui.