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O Fim do Enigma Salvador Dalí

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Espetáculo Eleitoral


O Espetáculo Eleitoral
Por: Jean Isídio dos Santos


Mais um ano eleitoral, novamente os políticos entram em cena. Como definir os protagonistas e vilões do espetáculo? Quais são as estratégias utilizadas para movimentar, alienar e coordenar o cenário eleitoral?
Você se lembra da última eleição? Para qual candidato você votou? Você se lembra de alguma promessa política?
Interrogações como esta geralmente são respondidas com negatividade, pois denotam o desinteresse por grande parte da população com relação a política.
Qual o verdadeiro interesse dos partidos políticos? Conforme afirma George Orwell: “O partido procura o poder por amor ao poder” (Orwell, 1984, p. 144). O partido não está interessado no bem-estar alheio, só está interessado em si mesmo e no poder, seja este um partido de “esquerda” ou de “direita”.
O real interesse dos partidos políticos volta-se para a conquista do poder estatal:
Cria-se assim no interior de cada partido uma divisão entre dirigentes e dirigidos, entre chefes, líderes, por um lado e massas, liderados, por outro. Estes dirigentes formam a burocracia partidária (Viana, 2003, p. 14)
Ao atingir o seu objetivo principal que é a conquista do poder, a burocracia que administra o partido distribui o poder entre os seus integrantes que irão ocupar os principais cargos nos quadros da burocracia estatal. Os principais cargos e principalmente os salários mais altos, serão abocanhados pelos burocratas do partido, estes fatores demonstram claramente porque o poder é tão disputado por todos os partidos sejam eles de direita ou esquerda.
No que diz respeito as estratégias utilizadas para enganar a “massa” conforme afirma Nildo Viana:
É devido à propaganda de massas que surge uma verdadeira industrial eleitoral: agências publicitárias, gráficas, institutos de pesquisa, que comercializam os bens eleitorais e fazem fortunas (Viana, 2003, p. 60).
Estas agências publicitárias preocupadas apenas no lucro criam a imagem e elaboram o discurso utilizado nos palanques eleitorais, discursos estes recheados de muitas palavras, propostas, promessas eleitorais que nunca serão realizadas. Estas industrias eleitorais tais como: gráficas e principalmente institutos de pesquisa geralmente são contratadas pelos partidos políticos para favorecem ou omitirem os índices colocando candidatos em posições que não corresponde com a realidade pesquisada. Nos discursos eleitorais, os políticos apresentam-se como verdadeiros “messias”, suas propostas políticas, são vagas, não possuem fundamentos, prometem recuperar a economia, garantir a moradia, acabar com a fome, realizar a reforma agrária, são promessas amplas de longa realização problemas que não são solucionados a curto prazo. Podemos notar também o discurso escamoteado dos partidos burgueses:
Qual é este discurso? Tendo em vista que as classes exploradas não produzem um voto de classe e que os partidos burgueses não podem falar em nome de sua classe, então o discurso eleitoral torna-se policlassista e portanto, despolitizante. Os partidos burgueses utilizam o discurso policlassista pelos seguintes motivos: a) eles não podem assumir que representam apenas a classe dominante, b) para ganhar as eleições, os partidos burgueses precisam de votos provenientes não só da burguesia, mas também da demais classes sociais, inclusive das classes exploradas, que são a maioria... (Viana, 2003, p. 60).
Conforme afirma Viana os partidos não podem assumir a classe que realmente representam, pois necessitam do voto das classes exploradas para consolidarem-se no poder, para alcançarem este objetivo escondem-se atrás de suas máscaras. Na prática estes políticos estão longe do real saber, a incompetência destes políticos é tão grande que na realidade, eles não possuem a capacidade de elaborar o seu próprio discurso, isto pode ser percebido nas realizações das campanhas publicitárias, na qual os partidos contratam agências publicitárias responsáveis pela imagem, comportamento e principalmente pelo discurso realizado pela burocracia representante do partido. As práticas do espetáculo eleitoral repetem-se em todo ano político, a falta de conscientização política, o descaso pela política por parte da população, a falta do debate político nas programações das redes públicas de televisão, nos rádios e até mesmo na Internet propiciam um distanciamento entre os eleitores e os seus “representantes”, esta situação precisa mudar, o debate político deve estar presente em todas as camadas sociais, a população tem por obrigação fiscalizar, denunciar e acompanhar as atividades dos partidos políticos afim de diminuir as práticas políticas irregulares, a corrupção tão freqüente no ambiente político. O exercício da cidadania não se dá somente no momento do voto e sim no acompanhamento das atividades políticas, no debate político, nas cobranças por parte da população em todas as circunstâncias políticas.

Referências Bibliográficas

ORWELL, George. 1984. São Paulo, Nacional, 1984.
VIANA, Nildo. O que são Partidos Políticos? Goiânia, Edições Germinal, 2003.


Fonte: Revista Possibilidades

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